sábado, 27 de novembro de 2010

O Natal

Eu vejo pessoas que já passaram pela minha vida e lamento por terem saído. Pessoas verdadeiramente especiais e inesquecíveis que deram sabor aos meus dias. Pessoas essas que merecem não mais que toda a felicidade do mundo, por serem tão mágicas, por serem o que são. E todos os dias agradeço aos céus por terem passado por mim, por terem deixado em mim uma marca, por terem feito eu conhecer a amizade, o carinho, o amor de amigo. Agradeço por fazer eu sentir saudades, do tempo, deles, dos momentos mágicos, das alegrias, ainda que fortuitas, guardadas para sempre.
Perdi em absoluto todas as pessoas que me faziam sentir-se especial. Até a pouco no emprego eu as tinha, pessoas que viravam e reviravam meus sentimentos, que mexiam comigo, mas saí de lá. Pude experimentar mais uma vez a magia da amizade sincera, da compaixão, da afabilidade. Mas estou pronto para começar novamente. Querendo ou não haverá agora um recomeço, minha vida vai mudar, e eu quero mais uma vez encontrar essas pessoas tão especiais que fazem a vida ser bela. Eu sei que o destino já as reservou para mim, basta encontrá-las. E desfrutar de tudo que a vida tem de melhor, o amor.
Ainda mais que já entramos em clima de natal. E eu fico encantado com as luzes, com a fantasia do papai noel, com os pinheiros coloridos, com as caixas de presente e seus laços, com a imagem das renas, do céu estrelado, da ceia com a família reunida, da paz, da amizade. Toda essa coisa do natal é fantástica, em todos os sentidos. Mas tem marcado minha vida por todos esses anos. Tenho já meus dezenove anos, mas sinto como se tivesse ainda a alma de uma criança. Às vezes me acho parecido com os poetas, Vinícius, Carlos Drummond... homens maduros que não têm medo de se entregar e exaltar as paixões pueris de uma criança. Envolto nesse clima tão maravilhoso a vida é bela, a família se torna perfeita, os risos tão cheios de alegria, os olhares tão intensos, olhos com lágrimas olhando o céu, relembrando momentos bons, deixando a energia do ar tomar seus corpos e suas almas. Quanta bondade, quanta paz, quanta harmonia ainda existe no mundo. Que maravilha.
E assim é o natal, assim acontece todos os anos, essa divindade na terra, essa coisa tão envolvente e especial nos domina, nos alegra, nos deixa felizes. Faz todas as pessoas se sentirem especiais, e é disso que todos precisam. Ninguém quer ser invisível, as pessoas querem ser notadas, e o natal as faz assim. Até parece que nem existe mais rico e pobre, preto e branco. As pessoas se olham e sorriem alegremente, a felicidade é envolvente. Assim podemos gozar de mais um natal, de mais um fim de ano cheio de alegria e paz.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

A Vida

Às vezes é preciso olhar mais longe. Ousar. Tentar ver além do que o horizonte nos proporciona. E para isso, basta reparar em gestos simples de amor, carinho, compaixão, amizade. Porque sem isso a vida não seria. Isso é a vida, as coisas simples e boas. Por isso ame, vamos amar acima de tudo. Esquecer por um tempo a maldade do mundo, a violência, a mentira, o engano, e ver o universo de alegria que a vida tem para nos oferecer.
Ler um bom livro, ouvir uma boa música, abraçar, ir ao teatro, sorrir, olhar para o céu, cantar com os pássaros... A beleza de poder ver, ouvir, sentir a essência da vida, esse poder absoluto que nos envolve a cada dia se deixarmos. Esquecer os compromissos, responsabilidades, negócios e parar um pouco para sentir, sentar na janela, tocar Djavan no violão e olhar os cavalos passearem no campo de uma chácara repleta de pássaros a cantarolarem e dançarem no ar. Isso é vida, isso é viver, isso é sentir.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Responsa

Tem um momento que, em absoluto, não dá mais. É hora de jogar tudo pro alto e deixar que o vento carregue as folhas. Você tenta ser flexível, porque o sistema te obriga, a correr atrás de dinheiro, de boas relações, de harmonia. Mas num momento você entra em colapso, e ae fudeu. Você é derrotado. Por aquele cara que está dentro de você. Que não quer harmonia com o mundo, mas quer harmonia com você mesmo. Não adianta lutar mais, tudo é em vão, ele venceu. Tem de ceder. E é isso. Vai ser você, no âmago, no puro, no intrínseco, doa o quanto doer, não se pode mais disfarçar, nem metamorfosear mais nada.
No fundo você sabe que é mau, e toda aquela responsabilidade vai por água abaixo, justamente por você não ser naturalmente um cara responsável. Você redescobre que é o cara que só quer comer, dormir, jogar bola, pegar uma mina aqui e ali, jogar videogame, e só. Nada de estudar, nem trabalhar, nem correr atrás de querer um futuro próspero financeiramente. Você sabe e sente agora na pele que é o cara que só sabe ter uma vida mansa, livre de responsabilidades e muitos esforços. É difícil, mas é a realidade. Você tenta de todos os modos ser o cara super motivado, e no fim, redescobre que você não é essa pessoa. E que se quer conservar alguma integridade vai ter de aceitar como realmente é.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Vida boa

Pode parecer loucura, mas a cada dia que passa esse vazio me consome mais e mais. Às vezes falar disso é como se não resolvesse nada, palavras ao vento, sem compromisso, sem rumo, sem motivo. Falar por falar. Mas e quê? Estamos aqui pra isso, pra falar ao vento, para cantar aos pássaros, para pensar em nada. Porque simplesmente nada faz sentido. Acordar todos os dias sem saber o que vai acontecer, andar, comer, dormir, trabalhar, viver. Apesar de tudo, apesar desse aparente vazio, a vida é boa. Muito boa. Existem surpresas, e eventos realmente marcantes, que por vezes fazem você querer acreditar que tudo vale a pena.
Eu tento fugir desse drama, desse "Ó noite, ó dia", mas inevitavelmente eu falo assim, eu me expresso assim. Pareço melancólico, triste sempre. Se alguém lesse meus textos me acharia a pessoa mais aborrecida do mundo. E na verdade eu não sou, eu sou quase feliz. Não de todo porque sempre falta algo aqui e ali, mas enfim, eu sou uma pessoa alegre. Nem sou triste. Esses textos dramáticos que escrevo falando de vazio e tristeza são pura literatura. É só um jeito de escrever, acho que não sei escrever c0isas alegres. Mas enfim, isso que acontece. A vida continua, com seus momentos bons, e seus momentos que parece a vida e o mundo ser um nada. O vazio. O cinza.
Eu nem tenho ido ao teatro. Nem escutado música clássica. E me irrito pouco. Nem faço mais academia, leio apenas religião, é o que eu gosto. E continuo dando aulas de música, tocando, paquerando de vez em vez uma aqui outra lá, sem querer compromisso. E é isso.
Espero me divertir mais ainda que já tenho me divertido. Muito mais. Quero viajar, um dia casar, e ter filhos, ver meus netos, meus filhos se formando e sendo felizes e então posso morrer feliz. A vida é boa!

sábado, 22 de maio de 2010

Até quando

Por vezes me pergunto até quando. Até quando o disfarçar da tristeza, até quando a angústia, o auto-desprezo, a ganância morta, os olhares fortuitos, a não subjetividade, a não profundidade, até quando a superficialidade, até quando esse correr de olhos, correr de passos, correr de nada. Até quando esse vazio, essa sombra, essa corrida, esse vento sem direção, até quando esse vasto deserto de sonhos, essas pessoas, essas ruas tão ligeiras, tão vazias. Até quando esse estar aqui sem fé, apenas com a cinza da esperança. Até quando esse repúdio, até quando essa vontade de estar perto, essa vontade de sorrir, de abraçar você, de te beijar, de te dar carinho. Até quando esse não ser completo, até quando essa vontade de viver, de estar lá e não aqui. Até quando os mesmos caminhos, até quando o não encontrar-se, o afastar-se, o deixar, o devir, o estar do lado de fora, o não fazer parte. O não mostrar a si mesmo, o não mostrar aos outros, a não auto-afirmação, o desvio, a volta, o ciclo, o nada novamente. O pensar e repensar, os caminhos que não levarão você a lugar nenhum, o socorro, a busca, o bater de mãos, o pegar o ar, o não sentir com lágrimas, a contradição, os momentos fortuitos de dor, o não apego, o não amar, o abastar-se, o esquecer, a marca, a marca que fica... que sempre fica, as lembranças, o cheiro, a memória, os dias apáticos, o céu nublado, a solidão, a falta, o balanço das folhas, a água, o estar aqui, a existência parecendo completa... até quando.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Café

Ali no café, já era passado das dez horas, e ela nada. Qualquer adversidade poderia ter se tornado um obstáculo naquele encontro. Virara rotina, não era o primeiro, já estava acostumado. Ela a cada dia mais bela, passavam ali das dez ao meio dia conversando sobre suas vidas, sobre seus sonhos. Aqueles encontros, todos eles tinham sido perfeitos, nem na adolescência, nem em nenhum outro momento da sua vida teve seus dias tão harmoniosos. Financeiramente só devia agradecer a Deus. Seus sonhos realizados. Tinha terminado já sua pós em música, durante um tempo estivera dando aulas de história da música na universidade e agora decidira dar um tempo. Tocava na orquestra que sempre desejara e como se não bastasse tudo isso, ainda encontrara a mulher dos seus sonhos. Ela tão cheia de vida e classe, aspirava às mesmas coisas, realizara-se quase que da mesma forma. Tudo tão perfeito, durante a adolescência se desiludira tantas vezes achando que alma gêmea nem existisse. Mas agora era real, a conhecera numa exposição de arte contemporânea e agora estavam todos os dias a se encontrar no café, conversavam sobre o mundo, assunto nunca faltava, ela era tão perfeita, o seduzia a cada palavra, a cada olhar. Contudo, nem beijo nem dava tinha acontecido, apenas as conversas. Que embora distante, profundo. Mas não tinha com o que se preocupar, não pensava mais como antes. E agora, mais que em qualquer outro momento tinha a impressão que o ritmo da vida os aproximava, a cada dia sentia ela mais perto. Não queria apressar as coisas, já a essa altura tudo estava bem, chegara longe, mais do que sempre imaginara, aos poucos sentia conquistar a mulher dos seus sonhos.
Olhava a rua, manhã nublada, as pessoas passavam apressadamente pelo calçadão movimentado. Tantas pessoas, tantas convicções, tantas ilusões. Ninguém o notava ali. Em algum momento sentara na mesma mesa e por dentro chorava. Não que não tivesse ninguém, tinha os melhores amigos do mundo que sempre estavam preocupados com ele. Mas ainda sim se sentia sozinho, parecia que não era o suficiente. E ninguém ali o notava, era como se não existisse. Todas voltadas para os seus problemas, ninguém a fim de compartilhar, saber se está tudo bem, se precisa de algo, se quer uma companhia. Por vezes se confundia em meio a tantos pensamentos, tanta vontade de viver. Mas ali estava ele, mais uma vez, tão apático, tão previsível, na monotonia de sua alma. Por que as coisas funcionavam assim? Ele realizara seus sonhos, mas não a ele mesmo. Tantos esforços para conseguir o que queria, e conseguiu. Mas não era o suficiente, precisa de alguém, precisa de um amor. Todas as garotas da sala, as paqueras, ficava com elas, mas não sentia o essencial, o amor. E ali, na faculdade de artes o amor era a motivação de muitos, alguns compunham suas músicas todas baseadas no amor. E parecia para ele tão distante...
Ali, olhando a rua, Por que as pessoas não paravam um segundo e não conversavam? Por que um desconhecido não apertava a mão de outrem? Todos a passos largos, para o emprego, para a entrevista, para a compra, para a escola. Ninguém notava ninguém. Cada um vivia sua vida com seus botões, sem notar a presença de outro ser humano.
Mas enfim, tudo passara, ele também ignorava os outros agora, estava demasiado ocupado, apaixonado, obcecado, tudo por aquela garota, aquela mulher, que era o ideal para ele. Concentrara todas suas forças nela, talvez até não intencionalmente, mas agora estava tudo posto à mesa. Sua vida depositada em uma mulher. Perdera a conta de quantos presente, a cada dia um recomeço, conhecia a vida dela, sabia onde morava, os pais, tudo em tão pouco tempo, era como se no fundo a vida devesse compensar todo o tempo que esteve fora, fora da vida apaixonada.
Ela chegara, com toda sua elegência, seu sorriso maravilhoso, seu cabelo preto, longo e tão brilhoso, suas mãos tão brancas, seus olhos verdes reluzentes, o contorno dos lábios de uma sutil perfeição. Ali estava ela, mais um dia, e ele a contemplá-la, aquela formosura esplêndida, o seduzia e encantava. E ele acreditava, convicto, que ficariam juntos.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Paz

Agora nada importava mais. Os problemas se fizeram tão evidentes, a irritação, a desilusão, tudo fez-se cair de súbito. Sem expectativas, sem avisos, tudo num momento. Mas não importava. Agora a paz que o invadia era incontestável. A conhecia bem, o suficiente para saber que ela o acompanharia o resto de sua vida, se ele não resolvesse doravante espantá-la. Mas não era tolo. Abraçara essa paz com toda a ternura do mundo, queria fazer dela sua companheira, sabia que podia confiar, ela nunca iria o desamparar.
Tantos caminhos, tantos relevos, tantas oscilações, tantas expectativas, mas valeu, valeu a pena. Experiência fora o que ganhara e agora sabia que tais caminhos não eram 'acertados' nem 'sustentáveis'. Sempre conhecera a verdade e por tantos momentos decidira se esconder, ou traçar outros rumos, mas misericordialmente ele está novamente na linha reta, esperamos que continue assim. Paz - não tem preço.