sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Chegar

Falar de amor, parece tão simples. Simples pra quem já viveu e sabe como é. Eu me pergunto às vezes se sei o que é o amor. Já vivi tanto, com tantas garotas, dividi tantos momentos, ganhei tantas coisas e entreguei também. Cada momento desses inesquecível, algo que não se vai mesmo que você queira. Eu, em particular nem quero. Porque no fim é atrás disso que vivemos, e quantas vezes mentimos pra ter o que queremos, quando em verdade ser verdadeiro já é a felicidade plena, é o ser e estar absoluto. Ser verdadeiro é viver com a glória da solidão contida e da amizade verdadeira. Um carinho, um beijo, um abraço, uma música, um pensamento, um sonho, eu agradeço por ser assim, tenho orgulho disso. A subjetividade sobe à superfície e aí fica, sem querer mudar o passo. E eu gosto disso, vivo com isso, e não nego mais. Viver com isso é ser plenamente feliz, e ser feliz é nosso objetivo aqui, logo não preciso de mais nada. Parece preocupante às vezes a minha falta de preocupação, mas eu me conformo. A simplicidade e a alegria andam de mãos dadas, aprendi por esses dias vivendo, só assim se pode chegar lá.
Mas enfim, lá está o amor, o que queremos pra sempre, o que queremos viver, o que queremos conosco. Talvez eu tenha amado um dia e nem saiba. A verdade é que hoje eu tenho dúvidas, sobre o 'amar'. Mas sei que logo toda essa brisa se dissipará e serei um ser que pode amar com consciência do que é verdadeiro e com o coração, porque apaixonado já sou, pela vida, pelo todo, pelas pessoas. E isso me faz viver. Constrangedor é lembrar que às vezes eu menti pra ter mais, quando sendo verdadeiro eu posso ter tudo que quero. E sendo verdadeiro a luz da manhã parece brilhar mais, as estrelas brilham mais, seus olhos brilham mais, eu nem sabia que era capaz de tudo isso, de te olhar assim com tanto sentimento, profundamente nos olhos e fazer você sentir essa energia. Eu nem imaginava que seria tão especial aquele dia. Eu não acreditei em mim, doce ilusão pensar que eu não era o suficiente pra mim mesmo e pra você. Agora vejo com outros olhos e quero gritar pro mundo o quão bom é se sentir assim. Sentir: que palavra nobre. Se você mente é privado disso e privado da felicidade. Só ajunta sentimento de mágoa, rancor e angústia no peito, os dias sempre passando depressa e você na ilusão de que está ganhando a vida, quando está perdendo. Difícil ouvir críticas sobre seus gostos, só que mais difícil é esconder quem você é e do que gosta. Na verdade evoluímos e prosperamos nossos dias quando começamos a aceitar mais. Quando paramos de fingir e de apontar. Quando abrimos os braços num gesto de carinho. Quando decidimos viver e ser felizes em vez de querer ser alguém que está longe de nós.
A liberdade logo ali, podemos senti-la e tocá-la com a ponta dos dedos. Com ela o sol, com ela o ser infinito, com ela o absoluto. Talvez ela esteja ainda mais perto, talvez já esteja aqui, talvez a escuridão suscitava propositadamente tenha nos cegado e agora temos dificuldade para achá-la. Tudo que sei é que ela existe, não é apenas uma história inventada pelos homens. Porque um dia eu a conheci e gozei da sua calorosa sensação. E sei que ela há de voltar. Eu renunciei a tudo que me fez mal e agora ando comigo mesmo, não tenho mais que olhar pelo lado de fora. E sou digno dela agora. Sei que está perto, e sem vacilar vou continuar acreditando nisso até que tudo se complete e possamos viver um amor verdadeiro e único. Tudo lembra o amor, tudo me leva à você. E com isso que quero viver.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Limites

Mais um dia frio. Os pensamentos amontoavam-se. Ultimamente parecia um pouco mais racional, esforçara-se para que isso acontecesse. Cansara de sofrer já sendo tão fiel a sentimentos e a emoções que traziam lá seus momentos verdadeiros de prazer e alegria mas que por ora esvaiam-se, abandonando assim, sem mais nem menos, sem dizer qualquer coisa ia embora. Sozinho no quarto se lamentava, Por que confiara mais uma vez nas emoções? Por que era fiel a toda aquela subjetividade pegajosa, aquela coisa que não queria o deixar. Que o seguia. Dormindo, lendo, distraído, sozinho, aquela coisa vinha, chamando-o para dentro dela, ou melhor, convidando-o a deixa-la entrar. E ele, fraco, deixava. E aquilo ia o dominando, aquela força sobrenatural fazia-o se sentir mais vivo. Era uma energia forte, ele sentia vontade de escrever, de ler - não, de ler não, se achava alguém, que tinha conteúdo agora o bastante pra sair contando a todos. Se sentia poderoso. Que vontade de pegar o violão e cantar uma música, que vontade de sair lá fora, buscar alguém pra conversar! Que vontade de dividir, que vontade de correr, que vontade de viver! Aquilo era bom, ele se deixava levar, o coração batia acelerado, as mãos queriam apalpar, os lábios queriam se abrir num belo sorriso, os dentes brancos queriam exibir-se. O céu logo ali, é como se pudesse tocá-lo, pegar as nuvens com a mão, amassá-las, tampar o sol, abraçar o universo. Esse se sentir grande, essa onipotência, essa coisa tão viva o levava, e ele se deixava ir, sem receio, com olhos brilhantes, com o peito aberto, sentindo o vento, abrindo os braços, não existia mais limites, o chão parecia até longe, só enxergava o céu, e tudo que estava no alto. Queria subir mais e mais. Deixou-se levar.
Depois de não muitos dias tudo acabou. Esvaiu-se a onipotência, o poder, o sentimento forte. Jogado, abandonado, traido. De que vale acreditar nisso, de que vale sonhar?! Melhor seria que nada tivessse acontecido, que não tivesse sentido nada, agora essa falta não existiria. Ela corrói. Tudo por ser fraco, tudo por ceder a um sentimento convidativo que lhe oferece poder, e um bem estar sobre humano, só pede que confie nele e se deixe levar. Logo esse mesmo sentimento o abandona e deixa-o à mercê da razão. E é inevitável, porque é o outro lado da moeda. E você volta a ser mais racional, volta a fazer o que acha certo, volta a ser frio, a não querer mais sonhar. Volta a viver nos limites da razão.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Guia

É estranho vivenciar todas essas fases da vida. Porque a cada dia é como se nascesse um novo eu, é como se um novo caminho surgisse, é como se uma nova luz de esperança nascesse no horizonte. E o mais incrível da vida é saber que o futuro é incerto, e que no entanto depende apenas de nossas escolhas. Ser feliz, ser sozinho, ser um fracasso, tudo é consequência do que escolhemos. Eu particularmente escolhi ser feliz, escolhi passar por cima de todas as mágoas e ressentimentos do passado. Escolhi não ter medo das incertezas, nem do desconhecido. Decidi viver com os pés no chão, com bases sólidas naquilo que pode reforçar minha fé na vida a cada dia. Decidi me guiar pelo amor, e que meu coração me diga e eu vá onde devo ir. Decidi não ter preconceitos. Decidi ter um coração limpo, que ame e reconheça cada gesto de generosidade que se evidencie.
Melhor assim, ser transparente com a vida, comigo, com meus amigos. O tempo passa tão depressa, quero aproveitar ao máximo o pouco tempo que me resta com a vida, porque logo chega a velhice e quero ter histórias pra contar a alguém. Não quero ter que dizer que vivia com minha tristeza, cheio de preconceitos e raiva. Quero dizer que tive amigos maravilhosos, que eu confiava, que confiavam em mim. Quero contar de momentos únicos e inesquecíveis. Quero ter o que contar sobre o amor, sobre a amizade, sobre a sinceridade e sobre a vida. Ter meus sonhos realizados e uma vida feliz, com um coração que transborde generosidade. Que passe energia e possa contagiar quem esteja perto.
Enfim, quero que as coisas sejam mais limpas daqui pra frente, que a vida flua livremente, que os momentos sejam mais marcantes, que esse cinza vá embora de uma vez. Que a alegria esteja presente, que os amigos não se ausentem, que eu perceba, que eu sinta, que eu viva.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Desvio

É foda você querer viver sem tem que correr atrás de reconhecimento. Parece que quanto mais longe eu vou, mais sem amigos eu fico. E eu me importo, todos os dias. Querendo chorar, querendo estar rodeado deles, mas a impressão que tenho é que por qualquer motivo que não conheço eles não me querem mais. Talvez seja apenas essa minha desconfiança, essa falta de fé na vida. Talvez seja real. O tempo da solidão chegou. Aqui, na sala, eu tento não lembrar mais dos momentos felizes do passado, me traz um sentimento de inveja, talvez por eu ter mudado realmente, por não conseguir ser mais aquela pessoa querida que eu era. Talvez porque eu tenha ambicionado outras coisas, e nessa corrida pelo ser mais, eu fui longe demais, perdi meu caminho e agora nem sei mais onde estou. Perdido, essa deve ser a palavra. A mágoa apenas. Realmente não quero voltar mais, nem tentar ser quem eu era, quando estava cercado de boas pessoas que me amavam. Porque talvez um dia elas me abandonem, e eu torne a ficar novamente aqui, sem esperança. E busque outros caminhos, outra vez, tentando me reencontrar, fugindo da solidão e da tristeza.
Já tenho trilhado boa parte do caminho, não tem por que mais querer voltar. Vou continuar por mais que a dor insista, por mais que eles não queiram voltar para mim, que não se lembrem mais, eu vou continuar andando. Porque sei onde quero chegar e sei por onde estou indo. E por enquanto parece seguro.
Eu sei que vai doer, e sei que vou suportar essa dor. Sei que o vazio pode parecer grande, mas atrás desse muro cinza é como se pelas frestas eu pudesse enxergar já a luz do céu que, com força tenta me alcançar. E atrás desse muro um jardim com muitos pássaros, colorido e felicidade me espera. Eu creio.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Lutar

Os dias passando tão rapido, às vezes esqueço até em que ano estamos. Parece que não há nada em absoluto de diferente em mim, como se nada tivesse mudado, eu continuo um menino, que se encanta e desencanta desse mundo ao mesmo tempo, de tudo. Só resta a lembrança remota da felicidade digna e autêntica que tive um dia, com amigos sinceros, e um coração puro. Atrás de todo esse colorido reina um imenso cinza. Mas eu vou continuar lutando, pra sobreviver em meio a tudo isso. Esse meu coração, que parece esmagado, faz eu querer chorar a cada instante. Faz eu querer me fechar, e esquecer o mundo, contemplando assim toda dor e toda a angústia da minha alma. Eu sei o que é viver, e ser feliz, e ter amigos, e querer viver mais e mais, aproveitar cada segundo com a maior intensidade possível. Mas tudo esvaiu-se. Eu tento subsistir, mas é como se algo me puxasse para baixo, ou para trás.
Mas vai ser natural que eu continue lutando, pela conquista, pela emancipação, pelo não querer sofrer mais. E uma hora eu tenho que conseguir, não vou deixar de acreditar, cada dia é um degrau que subimos, a cada dia está mais perto a bandeira. Por mais que toda a pressão, e essa angústia continue por algum tempo, uma hora ela vai sucumbir, e vamos vencer. Acreditemos.

sábado, 27 de novembro de 2010

O Natal

Eu vejo pessoas que já passaram pela minha vida e lamento por terem saído. Pessoas verdadeiramente especiais e inesquecíveis que deram sabor aos meus dias. Pessoas essas que merecem não mais que toda a felicidade do mundo, por serem tão mágicas, por serem o que são. E todos os dias agradeço aos céus por terem passado por mim, por terem deixado em mim uma marca, por terem feito eu conhecer a amizade, o carinho, o amor de amigo. Agradeço por fazer eu sentir saudades, do tempo, deles, dos momentos mágicos, das alegrias, ainda que fortuitas, guardadas para sempre.
Perdi em absoluto todas as pessoas que me faziam sentir-se especial. Até a pouco no emprego eu as tinha, pessoas que viravam e reviravam meus sentimentos, que mexiam comigo, mas saí de lá. Pude experimentar mais uma vez a magia da amizade sincera, da compaixão, da afabilidade. Mas estou pronto para começar novamente. Querendo ou não haverá agora um recomeço, minha vida vai mudar, e eu quero mais uma vez encontrar essas pessoas tão especiais que fazem a vida ser bela. Eu sei que o destino já as reservou para mim, basta encontrá-las. E desfrutar de tudo que a vida tem de melhor, o amor.
Ainda mais que já entramos em clima de natal. E eu fico encantado com as luzes, com a fantasia do papai noel, com os pinheiros coloridos, com as caixas de presente e seus laços, com a imagem das renas, do céu estrelado, da ceia com a família reunida, da paz, da amizade. Toda essa coisa do natal é fantástica, em todos os sentidos. Mas tem marcado minha vida por todos esses anos. Tenho já meus dezenove anos, mas sinto como se tivesse ainda a alma de uma criança. Às vezes me acho parecido com os poetas, Vinícius, Carlos Drummond... homens maduros que não têm medo de se entregar e exaltar as paixões pueris de uma criança. Envolto nesse clima tão maravilhoso a vida é bela, a família se torna perfeita, os risos tão cheios de alegria, os olhares tão intensos, olhos com lágrimas olhando o céu, relembrando momentos bons, deixando a energia do ar tomar seus corpos e suas almas. Quanta bondade, quanta paz, quanta harmonia ainda existe no mundo. Que maravilha.
E assim é o natal, assim acontece todos os anos, essa divindade na terra, essa coisa tão envolvente e especial nos domina, nos alegra, nos deixa felizes. Faz todas as pessoas se sentirem especiais, e é disso que todos precisam. Ninguém quer ser invisível, as pessoas querem ser notadas, e o natal as faz assim. Até parece que nem existe mais rico e pobre, preto e branco. As pessoas se olham e sorriem alegremente, a felicidade é envolvente. Assim podemos gozar de mais um natal, de mais um fim de ano cheio de alegria e paz.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

A Vida

Às vezes é preciso olhar mais longe. Ousar. Tentar ver além do que o horizonte nos proporciona. E para isso, basta reparar em gestos simples de amor, carinho, compaixão, amizade. Porque sem isso a vida não seria. Isso é a vida, as coisas simples e boas. Por isso ame, vamos amar acima de tudo. Esquecer por um tempo a maldade do mundo, a violência, a mentira, o engano, e ver o universo de alegria que a vida tem para nos oferecer.
Ler um bom livro, ouvir uma boa música, abraçar, ir ao teatro, sorrir, olhar para o céu, cantar com os pássaros... A beleza de poder ver, ouvir, sentir a essência da vida, esse poder absoluto que nos envolve a cada dia se deixarmos. Esquecer os compromissos, responsabilidades, negócios e parar um pouco para sentir, sentar na janela, tocar Djavan no violão e olhar os cavalos passearem no campo de uma chácara repleta de pássaros a cantarolarem e dançarem no ar. Isso é vida, isso é viver, isso é sentir.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Responsa

Tem um momento que, em absoluto, não dá mais. É hora de jogar tudo pro alto e deixar que o vento carregue as folhas. Você tenta ser flexível, porque o sistema te obriga, a correr atrás de dinheiro, de boas relações, de harmonia. Mas num momento você entra em colapso, e ae fudeu. Você é derrotado. Por aquele cara que está dentro de você. Que não quer harmonia com o mundo, mas quer harmonia com você mesmo. Não adianta lutar mais, tudo é em vão, ele venceu. Tem de ceder. E é isso. Vai ser você, no âmago, no puro, no intrínseco, doa o quanto doer, não se pode mais disfarçar, nem metamorfosear mais nada.
No fundo você sabe que é mau, e toda aquela responsabilidade vai por água abaixo, justamente por você não ser naturalmente um cara responsável. Você redescobre que é o cara que só quer comer, dormir, jogar bola, pegar uma mina aqui e ali, jogar videogame, e só. Nada de estudar, nem trabalhar, nem correr atrás de querer um futuro próspero financeiramente. Você sabe e sente agora na pele que é o cara que só sabe ter uma vida mansa, livre de responsabilidades e muitos esforços. É difícil, mas é a realidade. Você tenta de todos os modos ser o cara super motivado, e no fim, redescobre que você não é essa pessoa. E que se quer conservar alguma integridade vai ter de aceitar como realmente é.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Vida boa

Pode parecer loucura, mas a cada dia que passa esse vazio me consome mais e mais. Às vezes falar disso é como se não resolvesse nada, palavras ao vento, sem compromisso, sem rumo, sem motivo. Falar por falar. Mas e quê? Estamos aqui pra isso, pra falar ao vento, para cantar aos pássaros, para pensar em nada. Porque simplesmente nada faz sentido. Acordar todos os dias sem saber o que vai acontecer, andar, comer, dormir, trabalhar, viver. Apesar de tudo, apesar desse aparente vazio, a vida é boa. Muito boa. Existem surpresas, e eventos realmente marcantes, que por vezes fazem você querer acreditar que tudo vale a pena.
Eu tento fugir desse drama, desse "Ó noite, ó dia", mas inevitavelmente eu falo assim, eu me expresso assim. Pareço melancólico, triste sempre. Se alguém lesse meus textos me acharia a pessoa mais aborrecida do mundo. E na verdade eu não sou, eu sou quase feliz. Não de todo porque sempre falta algo aqui e ali, mas enfim, eu sou uma pessoa alegre. Nem sou triste. Esses textos dramáticos que escrevo falando de vazio e tristeza são pura literatura. É só um jeito de escrever, acho que não sei escrever c0isas alegres. Mas enfim, isso que acontece. A vida continua, com seus momentos bons, e seus momentos que parece a vida e o mundo ser um nada. O vazio. O cinza.
Eu nem tenho ido ao teatro. Nem escutado música clássica. E me irrito pouco. Nem faço mais academia, leio apenas religião, é o que eu gosto. E continuo dando aulas de música, tocando, paquerando de vez em vez uma aqui outra lá, sem querer compromisso. E é isso.
Espero me divertir mais ainda que já tenho me divertido. Muito mais. Quero viajar, um dia casar, e ter filhos, ver meus netos, meus filhos se formando e sendo felizes e então posso morrer feliz. A vida é boa!

sábado, 22 de maio de 2010

Até quando

Por vezes me pergunto até quando. Até quando o disfarçar da tristeza, até quando a angústia, o auto-desprezo, a ganância morta, os olhares fortuitos, a não subjetividade, a não profundidade, até quando a superficialidade, até quando esse correr de olhos, correr de passos, correr de nada. Até quando esse vazio, essa sombra, essa corrida, esse vento sem direção, até quando esse vasto deserto de sonhos, essas pessoas, essas ruas tão ligeiras, tão vazias. Até quando esse estar aqui sem fé, apenas com a cinza da esperança. Até quando esse repúdio, até quando essa vontade de estar perto, essa vontade de sorrir, de abraçar você, de te beijar, de te dar carinho. Até quando esse não ser completo, até quando essa vontade de viver, de estar lá e não aqui. Até quando os mesmos caminhos, até quando o não encontrar-se, o afastar-se, o deixar, o devir, o estar do lado de fora, o não fazer parte. O não mostrar a si mesmo, o não mostrar aos outros, a não auto-afirmação, o desvio, a volta, o ciclo, o nada novamente. O pensar e repensar, os caminhos que não levarão você a lugar nenhum, o socorro, a busca, o bater de mãos, o pegar o ar, o não sentir com lágrimas, a contradição, os momentos fortuitos de dor, o não apego, o não amar, o abastar-se, o esquecer, a marca, a marca que fica... que sempre fica, as lembranças, o cheiro, a memória, os dias apáticos, o céu nublado, a solidão, a falta, o balanço das folhas, a água, o estar aqui, a existência parecendo completa... até quando.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Café

Ali no café, já era passado das dez horas, e ela nada. Qualquer adversidade poderia ter se tornado um obstáculo naquele encontro. Virara rotina, não era o primeiro, já estava acostumado. Ela a cada dia mais bela, passavam ali das dez ao meio dia conversando sobre suas vidas, sobre seus sonhos. Aqueles encontros, todos eles tinham sido perfeitos, nem na adolescência, nem em nenhum outro momento da sua vida teve seus dias tão harmoniosos. Financeiramente só devia agradecer a Deus. Seus sonhos realizados. Tinha terminado já sua pós em música, durante um tempo estivera dando aulas de história da música na universidade e agora decidira dar um tempo. Tocava na orquestra que sempre desejara e como se não bastasse tudo isso, ainda encontrara a mulher dos seus sonhos. Ela tão cheia de vida e classe, aspirava às mesmas coisas, realizara-se quase que da mesma forma. Tudo tão perfeito, durante a adolescência se desiludira tantas vezes achando que alma gêmea nem existisse. Mas agora era real, a conhecera numa exposição de arte contemporânea e agora estavam todos os dias a se encontrar no café, conversavam sobre o mundo, assunto nunca faltava, ela era tão perfeita, o seduzia a cada palavra, a cada olhar. Contudo, nem beijo nem dava tinha acontecido, apenas as conversas. Que embora distante, profundo. Mas não tinha com o que se preocupar, não pensava mais como antes. E agora, mais que em qualquer outro momento tinha a impressão que o ritmo da vida os aproximava, a cada dia sentia ela mais perto. Não queria apressar as coisas, já a essa altura tudo estava bem, chegara longe, mais do que sempre imaginara, aos poucos sentia conquistar a mulher dos seus sonhos.
Olhava a rua, manhã nublada, as pessoas passavam apressadamente pelo calçadão movimentado. Tantas pessoas, tantas convicções, tantas ilusões. Ninguém o notava ali. Em algum momento sentara na mesma mesa e por dentro chorava. Não que não tivesse ninguém, tinha os melhores amigos do mundo que sempre estavam preocupados com ele. Mas ainda sim se sentia sozinho, parecia que não era o suficiente. E ninguém ali o notava, era como se não existisse. Todas voltadas para os seus problemas, ninguém a fim de compartilhar, saber se está tudo bem, se precisa de algo, se quer uma companhia. Por vezes se confundia em meio a tantos pensamentos, tanta vontade de viver. Mas ali estava ele, mais uma vez, tão apático, tão previsível, na monotonia de sua alma. Por que as coisas funcionavam assim? Ele realizara seus sonhos, mas não a ele mesmo. Tantos esforços para conseguir o que queria, e conseguiu. Mas não era o suficiente, precisa de alguém, precisa de um amor. Todas as garotas da sala, as paqueras, ficava com elas, mas não sentia o essencial, o amor. E ali, na faculdade de artes o amor era a motivação de muitos, alguns compunham suas músicas todas baseadas no amor. E parecia para ele tão distante...
Ali, olhando a rua, Por que as pessoas não paravam um segundo e não conversavam? Por que um desconhecido não apertava a mão de outrem? Todos a passos largos, para o emprego, para a entrevista, para a compra, para a escola. Ninguém notava ninguém. Cada um vivia sua vida com seus botões, sem notar a presença de outro ser humano.
Mas enfim, tudo passara, ele também ignorava os outros agora, estava demasiado ocupado, apaixonado, obcecado, tudo por aquela garota, aquela mulher, que era o ideal para ele. Concentrara todas suas forças nela, talvez até não intencionalmente, mas agora estava tudo posto à mesa. Sua vida depositada em uma mulher. Perdera a conta de quantos presente, a cada dia um recomeço, conhecia a vida dela, sabia onde morava, os pais, tudo em tão pouco tempo, era como se no fundo a vida devesse compensar todo o tempo que esteve fora, fora da vida apaixonada.
Ela chegara, com toda sua elegência, seu sorriso maravilhoso, seu cabelo preto, longo e tão brilhoso, suas mãos tão brancas, seus olhos verdes reluzentes, o contorno dos lábios de uma sutil perfeição. Ali estava ela, mais um dia, e ele a contemplá-la, aquela formosura esplêndida, o seduzia e encantava. E ele acreditava, convicto, que ficariam juntos.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Paz

Agora nada importava mais. Os problemas se fizeram tão evidentes, a irritação, a desilusão, tudo fez-se cair de súbito. Sem expectativas, sem avisos, tudo num momento. Mas não importava. Agora a paz que o invadia era incontestável. A conhecia bem, o suficiente para saber que ela o acompanharia o resto de sua vida, se ele não resolvesse doravante espantá-la. Mas não era tolo. Abraçara essa paz com toda a ternura do mundo, queria fazer dela sua companheira, sabia que podia confiar, ela nunca iria o desamparar.
Tantos caminhos, tantos relevos, tantas oscilações, tantas expectativas, mas valeu, valeu a pena. Experiência fora o que ganhara e agora sabia que tais caminhos não eram 'acertados' nem 'sustentáveis'. Sempre conhecera a verdade e por tantos momentos decidira se esconder, ou traçar outros rumos, mas misericordialmente ele está novamente na linha reta, esperamos que continue assim. Paz - não tem preço.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

PS.:

PS.:

E agora eu já nem sei mais em absoluto que fazer. As forças esvaíram-se, as esperanças se acabaram, fé eu já não tenho a tanto tempo.. Apenas o pó da vida e do pensamento me restam, o vazio já me consome, minhas mãos já não querem mais tocar, nem meus ouvidos ouvir, nem minha língua sentir gosto algum. Um passado remoto e distante, cheio de evasivas e más lembranças. Um presente cinza, desprovido de qualquer coisa que lembre vida. Como no caos, como as ruínas de uma cidade pós-guerra, como um vento sem direção. Futuro creio nem existir mais. Mas que fazer. Diante de tanta coisa que acontece lá fora, aqui dentro estou eu, vestido de sacos e cinza, em cima de meus próprios despojos, saturado e consumado, pela vida, pela fadiga, pela angústia, pela dor. A música que soa é a mesma de um sino, badaladas e mais badaladas, anunciando a chegada, a chegada do fim. Onde tudo é aterrorizadamente abalado e destruído pela grande tormenta. Num momento tenho essa impressão, mas já no momento seguinte lembro-me que é tudo fantasia, porque já passou, e agora nada mais resta. Somente o pó, a cinza, e as lembranças de um passado que nunca foi, de um vida que nunca foi. De um Eu tão falso e invisível, que duvida da própria existência, que por vezes imagina ser a sombra de alguém, ou um fantasma. Prosseguindo sem sair do lugar, o tempo pára comigo, porque eu sei que aqui dentro as coisas nunca mudam, o espaço não muda, nem o tempo anda, nem o cinza jamais se tornará colorido. Vida, quem é você. Mostre-me se um dia existiu em mim e eu em ti, ou se para mim nunca foi, nem nunca será, ou se não passa de uma ilusão minha e dos homens, ou quem me dirá se aqueles também não são ilusão. A incerteza, ela nos basta. Porque vivemos com ela. Talvez a sejamos, talvez sejamos a consciência da incerteza, talvez sejamos ambos ilusão.

sexta-feira, 26 de março de 2010

quinta-feira, 25 de março de 2010

Presença

E os dias se passavam. Tão rapidamente que era impossível contar as horas. Uma, duas, três, era impossível. O colorido da vida, as valsas, os jogos, as gargalhadas, onde estava tudo aquilo agora? Era feliz num segundo, mas ali, naquele canto da sala subjugava seu passado, um passado ainda que distante, feliz. Mas estava demasiado longe. E ele nem lembrava agora mais o que era a alegria, como era ser feliz. Sabia que fora um dia, mas agora lembrava da felicidade saindo por aquela porta, junto com as cartas, com as lembranças, com os abraços, com os momentos, com ela. Tudo que tinha, tudo que teve um dia. Mas agora era tarde, o tempo passara, passara, e nada mais restava. O vazio, a sombra o tomava. Em todos os cantos da sala havia um duende que o apontava e o acusava por seus erros. Sabia que errara. Mas errar era humano, todos diziam isso. Mas talvez ela não soubesse. Ela queria um namorado perfeito, ela queria alguém que ele não pudera ser. Ele era só... um garoto, mais um. Com seus sonhos, tristezas, aspirações, e sabia que era, sim, diferente. Olhava os outros, com suas hipocrisias, com frases prontas - quantos clichês. Todos dizendo ser diferentes, mas ele os colocava todos no mesmo saco, porque sabia que eram iguais, essa era a verdade. Mas não ele, ele era diferente, tinha essa convicção, e sabia que malgrado tudo, um dia poderia encontrar a garota perfeita, seria difícil, mas conseguiria.
Olhava o céu, nublado, um dia lindo, lindo para ele. Que adorava a apatia, a melancolia, o cinza. Era como se tudo isso desce a ele forças. E todo esse tempo que estivera sozinho pôde refletir sobre muitas coisas, pôde compreender quem era e para quê estava ali. Sabia qual caminho seguir agora, não existiam mais dúvidas, contudo faltava a presença. E essa presença precisava ser imediatamente preenchida. E aí que seus pensamentos vacilavam, porque ao passo que queria deixar as coisas fluírem até encontrar o par perfeito, algo dizia a ele que deveria sair às ruas, que em casa, na sua solidão, e naquele quadro de pensamentos jamais apareceria alguém. E sabia que tudo que precisava agora era de uma garota, uma garota. Não importava quem, queria apenas aquela presença feminina, o cheiro, o cabelo, os braços, as palavras, os lábios, os sentimentos, algo que soasse feminino. Queria a presença de uma garota. Sim, agora estava decidido, devia sair às ruas. Procurar alguém, achar alguém. Abraçar, beijar, conversar, sentir, desfrutar, um momento com aquela obra-prima da natureza - a natureza feminil.
Saiu dali, achou melhor partir logo antes que voltasse aquela vontade louca de ficar sozinho e recolher-se, pegou o casaco, saiu. O dia era bom, nublado, frio. Clima perfeito, e pretexto perfeito para conseguir um abraço. Andou uma, duas, três quadras, ninguém. Parecia que as pessoas tinham fugido para longe, haviam se escondido - dele. Até que na quarta quadra encontra alguém. Achou que seria mais simples, que encontraria apenas uma paquera por aí, ou uma garota conhecida. Porém mais que isso, encontrara ela, que fez uma lágrima descer de seus olhos um dia. Aquela que conseguira um dia despertar seus mais profundos sentimentos. Ela vinha logo ali, a uns dez passos. Pararam, ficaram a se olhar uns cinco segundos até que ele soltou E aí, tudo bem? Sim, e você? Vou bem. Incrível a tranquilidade com que ela o olhava, era como se naquele momento não existisse mais nada além deles. O mundo agora não tinha a menor importância. Ele estava com ela, e sabia que tudo que mais quis um dia era viver o resto de sua vida ao lado daquela garota, que já via como uma mulher consagrada, perfeita e linda como era. Todos aqueles dias com intervalos grandes demais para ele, ela repetia que também sentia por ele o que acreditava sentir por ela. Isso o alegrava sobremaneira, dava-lhe forças para vencer aqueles dias sozinho. E agora ali, sabia que a um respiro estava toda a essência de sua vida, que era ela. Aquela sensação branda de tranquilidade o tomava, sabia que se pudesse ter ela, sua vida mudaria completamente, voltaria a ser feliz. Aquela presença já o mudara, não se arrependia de ter saído de casa, pelo contrário, agradecia a quem o tinha feito sair às ruas.
Num movimento mais ousado sentira o perfume. Aquele cheiro vinha carregado de boas lembranças, de momentos inesquecíveis. Aqueles olhos que podia contemplar agora, o desenho dos lábios, o nariz tão perfeito, o cabelo tão liso, tão negro, tão atraente. Sua tez branca como neve, tudo nela o enternecia, tudo nela provocava nele uma sensação divina. E o futuro talvez dependesse desse momento, uma dávida encontrá-la ali, não teria outro instante mais oportuno. Parecia combinado, predeterminado pelo destino aquele encontro. Sonhava com ela todos os dias, dormindo ou acordado, acreditava que assim tinha com ele sua presença. E que ela nunca o abandonara, onde estivesse tinha certeza que ele estava no pensamento dela. Era o que ela declarava sempre. O que acontecia entre eles só eles entendiam. Eram feitos um para o outro. Tudo que acontecera, todas as turbulências do namoro, quantas vezes já não tinham rompido, e quando se reencontravam ficavam como agora, a se contemplarem mutuamente com aquela incrível sensação de paz que sentiam apenas um na presença do outro. Mas hoje havia algo diferente, e sabia que apartir dali, tudo mudaria. Ele percebera o quanto a amava e o quanto precisava dela para viver. Daria tudo por ela. Era a mulher da sua vida.
Sem dizer uma palavra, tocou sua mão. Os dedos entrelaçaram-se. E, inesperadamente, os olhos dela se encheram de lágrimas, uma correu, e ela sorriu. Ele a contemplá-la, aquela garota tão linda que chorava agora de alegria por ele. Sorria também. Voltaram-se para um mesmo sentido, e ele não conseguiu segurar Onde ia? Te encontrar.

Lembrar

E quando eu me lembro de ti
Só quero escrever escrever
E sonhar
Eu consigo imaginar nós dois
Valsando em cima das brancas nuvens
Você vestida de majestade
Eu a te olhar e admirar
Todo o céu
Todo o universo
Apenas para nós dois
Um par perfeito
Dois em um
Um amor
Uma vida
A perfeição da vida.
Nada parece ter cor
E nada é
sem a sua presença.

sábado, 20 de março de 2010

Coisas

E a vida acontece lá fora. Pessoas, ruas, carros, lojas, convicções, facções, tristezas. Só quero ir onde tenho que ir e ganhar um abraço, uma palavra amiga, um aperto de mão sincero, um olhar nos olhos e deixar evidenciar-se todo o enternecimento da boa alma. Uma conversa, um aconchego, um riso, uma lágrima, uma música, um canto de pássaro, uma sombra, uma sintonia, é o que precisamos. Um minuto para nós mesmos. Para olhar a grandeza do universo e de toda a natureza que nos resta. O amor, a sinceridade, o carinho, a vida, o ar. O tempo que nos resta. Fazer uma boa ação enquanto vivemos. Olhar o horizonte. Sonhar. Viver. Sorrir. Abrir os braços para o céu e sentir a brisa fresca. O barulho do mar. A pessoa amada. A boa música. A noite escura. O sol. As nuvens. O coração. Coisas. Coisas.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Quarto

Às vezes você pensa ser normal, e as coisas no começo vão bem, mas de a pouco você não se encaixa mais, e você volta a ter a impressão que ali não é o seu lugar. Então você sai pela mesma porta que entra todos os dias. Mas não como ontem, nem como antes, agora você se sente estranho,e uma sensação estranha toma conta de você. Então, sem dizer nada a ninguém você sai, para desparecer, deixar os pensamentos fluírem, a imaginação voar, o vento fresco no rosto e sentir a paz em um momento. E ali, mesmo naquela fria noite, você não consegue, por não ser mais o mesmo, e você sente mudar. O mundo gira maas rápido, as lembranças vêm, e como num êxtase você eleva-se, talvez tenha conseguido a emancipação tão desejada, mas não. Tudo se passa num segundo, e você volta, ali, onde tudo começara numa manhã calma e sóbria de fevereiro. Passara-se tantos anos, você cresceu, não quis se formar, não quis procurar outra pessoa. Mas contudo os dias foram turbulentos, e aquela calmaria era só uma impressão falsa das grandes ondas que viriam. E hoje você recorda e por vezes ri, quando consegue, de tudo. Das gargalhadas embaixo da cama, das horas passadas najanela olhando a rua, Do caderno de confissões, tão sagrado, tão profano, você nem sabia, era um agora e outro no momento seguinte. Olhava as telas penduradas, desenhos bonitos próximo à porta, mas ao aproximar-se da cama, as telas tornavam-se sombrias, a dor apertava-lhe o peito, a saudade batia misturada com a mágoa e com a falta daquele carinho. Aquela pessoa amada, que fora, talvez para não voltar jamais. E por isso a esperança esvaía-se, o quarto escuro, luz apagada, sempre, e o som brando da flauta para acalmá-lo.

Vida

Plausível. Assim que eles querem, que você seja agradável e que tenha atitudes plausíveis. Só queria saber quando inventaram tudo isso. O ser humano é mal? Ou a sociedade que o corrompe? Alma é o quê, intelecto ou emoção? Nós temos de ser comportados mesmo? Quem de vocês sabe quando vai morrer? Ou quando vai cair de um penhasco? Ou quando vai acertar na loteria? Perguntas e mais perguntas. As respostas se retiram, preferem que o vazio tome seus lugares. Talvez não precisemos destas respostas. Talvez não nos seja "lícito" tê-las. Mas enfim, "quais são as palavras que eu quero mais repetir na vida? Felicidade, Paz, Fé; Felicidade, Paz, Sorte?!" A alegria está logo ali, por que não apanhá-la? Por que aprisionarmos a nós mesmos? Que mal tem em ser feliz? Trabalho existe, e daí? Já me disseram que sou vagabundo, talvez o seja aos olhos deles, mas antes de tudo, eu tenho princípios, princípio de ser original, de seguir o caminho. Então vamos seguir, porque não deixaremos mais os dias se tornarem escuros nem o medo nos tomar, agora somos livres, agora estamos lúcidos. E vamos seguir o caminho, sem prepotência, sem mistificações, nem mentiras, apenas seguindo alegre, contente, por essa estrada de flores, alegria, música e paz. A vida está aí, vamos enche-la com alguma coisa boa. Plante uma árvore, diga Obrigado, saúde, abrace, viva com alegria, somos vivos e precisamos viver.

quarta-feira, 3 de março de 2010

A Verdade

-Você tem dúvidas?
-Sim, muitas.
-Sei como é, eu tive muitas dúvidas, mas libertei-me delas, e sabe como? Conhecimento. Eu busquei, busquei muito. Li desde os pré-socráticos até os pós-modernos. Esclarece muitas coisas, mas ainda assim você não alcança a plena emancipação espiritual. Então li a Bíblia. Já leu o Sermão da Montanha?
-Não, ainda não.
-Lá tem toda a moral cristã num só capítulo. Discussões que tantos filósofos punham em pauta em tantos livros, Jesus com uma só frase as derruba e nos convida a aceitar a Verdade. Você tem contato com a Verdade, mas tome de outras fontes, busque, para que tudo se confirma e você liberte sua alma. As dúvidas nos colocam em cima do muro, e o mundo é forte, mas a mão de Deus é mais forte ainda. Contudo, a libertação você pode obte-la através da busca incessante pela confirmação da Verdade.
-Eu tenho ouvido falar que existem apenas verdades relativas, e que não existe uma verdade absoluta. Que vários caminhos levam à vida.
-Os homens fazem confusão. De pré-conceitos tentam fazer valer verdades. Mas a Verdade é uma só, que é Deus. E apenas um Caminho nos leva à Deus, à Salvação, e à Vida Eterna.
-E que caminho é esse?
-Jesus. Por sua morte nos deu a oportunidade de salvar nossas almas. Basta nos arrependermos de nossos pecados, passar pelas águas do Batismo e servir a Deus.
-E como sirvo a Deus?
-Existe apenas uma doutrina que é verdadeira. E essa doutrina se encontra no Evangelho. Nas cartas de Paulo, nos ensinamentos de Jesus. Busque, procure a Verdade, e ela te libertará.